quarta-feira, 26 de março de 2014

Cemitério de Elefantes


As árvores sussurram na noite vasta. 
Os elefantes caminham pesados na avenida, 
seguem um sino inaudível para o abismo. 
Portas se abrem e fecham. 

 Os mendigos estão tocando piano. 

A noite se move lentamente, com a música. 
As mariposas se beijam no escuro, 
mostram-se na suave claridade do bar 
e se vão, infelizes. 

 O silêncio de Deus como um túnel. 

 Estrelas geladas caem. Carros arrancam, explodem. 
 As águas correm, negras, sob as pontes. 
Os mendigos solícitos se deitam para a morte.


Poema: José Carlos Brandão - Fotografia: Sebastião Salgado

terça-feira, 25 de março de 2014

Corujas


Apague as estrelas!
O verão se foi.
Quem sabe mais sorte na próxima vida.

Areias suicidas!
O tempo se foi.
Uma melodia para minha partida.

Coração sem batidas!
Piano quebrado.
A mais bela canção já tocada.

Corujas cegadas,
Assobio calado,
Semáforo sem cor.

Heroína, Overdose.
Morto de mais para viver.
Morto de mais para morrer.

Poema: Jean-Rio Sant - Fotografia: Desconhecido