As árvores sussurram na noite vasta.
Os elefantes caminham pesados na avenida,
seguem um sino inaudível para o abismo.
Portas se abrem e fecham.
Os mendigos estão tocando piano.
A noite se move lentamente, com a música.
As mariposas se beijam no escuro,
mostram-se na suave claridade do bar
e se vão, infelizes.
O silêncio de Deus como um túnel.
Estrelas geladas caem. Carros arrancam, explodem.
As águas correm, negras, sob as pontes.
Os mendigos solícitos se deitam para a morte.
Os elefantes caminham pesados na avenida,
seguem um sino inaudível para o abismo.
Portas se abrem e fecham.
Os mendigos estão tocando piano.
A noite se move lentamente, com a música.
As mariposas se beijam no escuro,
mostram-se na suave claridade do bar
e se vão, infelizes.
O silêncio de Deus como um túnel.
Estrelas geladas caem. Carros arrancam, explodem.
As águas correm, negras, sob as pontes.
Os mendigos solícitos se deitam para a morte.
• Poema: José Carlos Brandão - Fotografia: Sebastião Salgado


